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Sexta-feira, Maio 21, 2004
NÃO GOSTO DE COMIDA VELHA
Londrina foi legal demais.
As duas sessões de A FRENTE FRIA QUE A CHUVA TRAZ estavam lotadas antes da gente chegar.
Vários dias antes da gente chegar.
E as apresentações foram matadoras.
Saíram duas críticas na Folha de Londrina e no Jornal de Londrina.
Uma do Marcos Losnak e outra do Maurício Arruda Mendonça.
Emocionantes.
E o elenco do FRENTE FRIA é formado por uma moçada muito gente boa. Enfim, uma viagem bacana como há muito tempo a gente não fazia.
E os amigos do Mário ficaram bebendo com a gente.
Os amigos do Mário de quem eu gosto tanto e que se tornaram meus amigos também em muitos casos.
E eu revi o Robocop. Falei com o Márcio Américo por telefone porque o Marcião anda sumido e apareceu no futebol. Mas eu evidentemente não fui ao futebol.
O Marcio Américo assistiu ao espetáculo. E gostou muito. E disse que eu tenho que fazer um monólogo. Sei...
O Leonardo ficou no Bar do Jota lembrando da nossa casa do Brooklin aqui em São Paulo quando morávamos eu, o Mário, o Leo e a Gabi (namorada do Leo) e a casa era o inferno. Miséria e doideira. Das bravas.
Eu voltei a pé para o hotel conversando com o Mário sobre como a gente tinha sobrevivido àquilo tudo. E sobre como a gente realmente tinha deixado aquilo passar. A tristeza e a doideira de quando a gente se casou e era muito pobre e muito doido. E muito inconseqüente.
Muita gente que pirou não conseguiu mais se recuperar. Perdeu tudo e fica se requentando hoje em dia. Vide as bandas de rock dos anos 80 que de vez em quando gravam uns acústicos safados e sem graça numa tentativa patética de sei lá o que.
E isso é o que eu chamo de comida velha.
E isso a gente não faria. Tenho muito orgulho de ter sobrevivido e saído ilesa de recalques e rancores e esses sentimentos cretinos.
A gente por aqui anda feliz como há muito tempo não acontecia.
Salve a fraqueza alheia, que mantém os requentados bem longe daqui.
E nada como estar longe desses caras.
1:21 PM
Domingo, Maio 16, 2004
LONDRINA FICA LONGE DAQUI
Quando eu era pequena, minha prima Patrícia me disse: eu moro em Londrina e Londrina fica em outro estado. Eu morava em São José do Rio Preto e achei que era muito louco ter uma prima que morava em outro estado, achei que Londrina era muito longe e depois nunca mais pensei nisso.
Quando prestei vestibular, ia prestar em Londrina, mas passei antes em uma faculdade de São Paulo e São Paulo sempre foi pra mim o que de melhor poderia acontecer para alguém e eu vim pra cá feliz da vida.
Depois conheci o Mário que era de Londrina. Hoje eu penso: se eu tivesse ido pra lá talvez teria encurtado essa nossa história toda. Bobagem, talvez tivesse encurtado demais.
E hoje à noite eu entro num ônibus cheio de amigos e me mando pro FILO que é o Festival Internacional de Londrina.
Vou levar a Amsterdan pra passear.
Lá tomarei um uísque com meu Tio Mário. Não meu marido, que eu não chamo de tio, meu tio mesmo que se chama Mário e é o pai da prima que eu falei aí em cima.
A gente apresenta lá nos dias 18 e 19 (terça e quarta) A FRENTE FRIA QUE A CHUVA TRAZ.
Disseram que é o espetáculo mais procurado do Teatro Zaqueu de Melo.
O Cemitério de Automóveis é de lá, então acho que vai ser bom pra caramba.
Rever um monte de gente, entre elas minha enteada Isabela, que vai colar na gente.
O que eu acho ótimo porque taí uma mina de quem eu gosto muito.
Deve estar frio lá. O Mário sempre tem que me abraçar na rua porque eu passo mal de frio.
Eu exagero às vezes. Eu exagero quase sempre. Não é fácil, não.
SARAU NO SESC PINHEIROS
O Luiz, sempre muito gentil conosco, mandou um convite para o próximo Sarau Divergente do SESC Pinheiros. Quem apresenta é a Cláudia Missura, puta atriz, mina muito gente boa, que estava na EAD (Escola de Arte Dramática) na mesma época que eu e comeu muito no bandeijão da USP comigo.
Eu sempre me lembro da cara que ela fez quando me viu lambendo a faca de comida para descascar a laranja, que era a sobremesa. Sobremesa de bandeijão é sempre banana, laranja, arroz doce, maçã ou laranja. Ou banana. Ou arroz doce.
Bom, falava do Sarau...
No último que rolou lá, o Mário se apresentou com o Amalfi e o Noa e o Marcelo Montenegro leu seus poemas muito bem acompanhado pelo Amalfi na guitarra e o Schevano ao piano.
Por falar em Marcelo ontem levei seu livro de poemas o ORFANATO PORTÁTIL para o salão de beleza. Muito bom, a mulher me enchendo de tinta eu lá lendo Marcelo Montenegro. Já tinha lido, é claro, mas queria reler. Ando meio Reinaldo Moraes, gostando de reler livros mesmo tendo pilhas imensas de livros inéditos (para mim) espalhadas por todos os cantos dessa casa.
Ah, o Sarau Divergente do SESC Pinheiros...
O próximo será na quarta - feira, dia 19 de maio.
Não estaremos lá porque vamos para Londrina, mas eu certamente iria porque segundo o próprio Luiz será uma bela homenagem para o Itamar Assunção com direito a leitura de poemas da Alice Ruiz, uma de suas grandes parceiras. Vale esclarecer que ela estará lá para ler seus poemas.
Conheci Alice em um show do poeta Rodrigo Garcia Lopes. Fomos beber em um bar perto do SESC Pompéia e ela ria muito de uma piada que eu fiz sobre casamento que eu não vou escrever aqui porque é coisa que se diz, mas não se escreve.
Vá lá se estiver aí. Se você é o cara que não vai com a minha cara, aproveite que não estarei lá e deleite-se.
SARAU DIVERGENTE NO SESC PINHEIROS
DIA 19 DE MAIO, QUARTA - FEIRA
Com Cláudia Missura, Denise Assunção, Alice Ruiz, Alzira Espíndola, Makumbacyber e Os Gêmeos.
Quem será que são Os Gêmeos?
OS PREÇOS:
R$ 4,00 > comerciários
R$ 5,00 > usuários, mis (?), aposentados e estudantes
R$ 10,00 > outros
Não vai dar uma de louco e querer pagar R$ 5,00 porque você é usuário.
É usuário do SESC, bocó.
O ENDEREÇO
Av.Rebouças, 2876
Fone: 3815.3999
www.sescsp.org.br
2:31 PM
Quinta-feira, Maio 13, 2004
NÃO, CAROS
Não tenho tido tempo.
Nem pra explicar porque.
6:51 PM
EU VOU EMBORA DAQUI
Logo que voltar do Paraná.
Ou antes se me der muito na telha.
6:50 PM
Sábado, Maio 01, 2004
JON FOSSE e BOB FOSSE
Jon Fosse é guitarrista, escritor, dramaturgo e escreveu O NOME de um jeito preciso e com uma melodia estranha.
Eu vi O NOME na quinta feira passada lá no SESI.
No Mezanino, que ficou muito bacana como espaço para teatro.
Não deve ser fácil fazer aquela peça, não do jeito bem feito que os caras fizeram.
Os caras: Denise Weinberg na direção, Alexandre Tenório na tradução e o elenco do Núcleo Experimental do SESI, que é do caralho.
Eu adorei o texto do cara, os personagens têm um desenho estranho, parecem um rascunho: falam em um ritmo cortado, se movimentam muitas vezes de forma automática sem saber o que estão fazendo, parecem distraídos e compulsivos ao mesmo tempo e definitivamente não sabem o que vai acontecer daqui a cinco minutos. Tentam se relacionar, já que são parentes (filhos, pais, irmãs, namorados, amigos), mas não rola.
Jon Fosse lota o texto de rubricas porque é na ida até a janela, no vai e vem do quarto pra sala, da sala pra fora que os personagens acontecem. Tem ali uma dose bem servida de esquizofrenia. Uma escrita bem charmosa a de Mr. Fosse, o Jon.
O personagem do pai é fantástico. Seco, confuso, nada sobra ali. Pra falar a verdade, nada sobra na peça inteira.
Mas o cara é norueguês. Fudeu. Ao menos pra mim que sou monoglota.
Porque eu queria ler todos os textos dele.
Eu queria ver a peça de novo e talvez faça isso.
Porque ali ninguém deveu nada a Jon Fosse: a direção da Denise é fudida de boa. Diz ela que respeitou todas as rubricas de marcação do cara. No alvo, Denise.
O elenco mata a pau. Moçada muito boa. Moçada muito boa mesmo. Todos eles.
E o SESI, hein? Que legal! Levando umas peças desse naipe lá.
Enquanto isso, Bob Fosse que viveu nos Estados Unidos, era diretor e coreógrafo e criou o musical CHICAGO aprecia de onde estiver no além sua franquia funcionando a milhão.
Confesso: tenho vontade de ver CHICAGO.
A história das minas assassinas.
Mas não tenho muita vontade.
Prefiro ver o Jon Fosse de novo.
E eu li: "Não há nada mais atual hoje do que o tema de CHICAGO, que fala dessa busca pela fama a qualquer preço".
Ahã... Atual pra você, que só vê essas bostas na televisão.
Em O NOME você vai ver pessoas perdidas, ausentes, estressadas, distraídas.
Do jeito que a gente vê aos montes pela rua.
Nos dias de hoje, já que a barato é ser atual...
Eu tô andando se o texto é ou não contemporâneo.
O que vale é a escrita do cara. E a montagem dos caras.
Não perca.
6:59 PM
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